Dead Combo: Mudar a playlist para música "muda"

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Hoje em dia, a quantidade de informação que nos chega é enorme. A internet tornou-se uma arma para conquistar o mundo do conhecimento pleno: por um lado, utopicamente distanciado de nós, mas, por outro, mesmo à distância de um click ou abrir de múltiplos separadores.

No entanto, por mais romântica que seja esta ideia, a verdade é que quem define o conteúdo dos nossos separadores na web somos nós próprios, e no que trata a música, o assunto é curiosamente paradoxal.

Atualmente, temos um leque vastíssimo de opções quanto às músicas que queremos ouvir, quase todas à nossa disposição gratuitamente. No entanto, parece que a música comercial parece reinar nos recantos de cada smartphone, automóvel e café. Claro está que isto não acontece por acaso, nada disso. Se aquela música pop nos aparece incansavelmente no feed do Youtube, é óbvio que estamos perante uma técnica de marketing por parte dos produtores da música em questão. Agradeçamos aos fabulosos algoritmos do Youtube e Spotify que nos transportam levemente para a música generalista e, em grande parte das vezes, oca de conteúdo.

Mas não façamos destes sites os "bodes expiatórios" do nosso pobre gosto musical. Podemos sempre procurar diferentes estilos e origens.

Quando falo de origens refiro-me à música oriunda do belo retângulo ibérico. É isso mesmo, música nossa, música portuguesa. Nem sempre fui fã, mas, mais do que nunca, estou rendida a tantos artistas de qualidade e versatilidade invejáveis. Recentemente, tive até a oportunidade de ouvir vários num festival que celebra a música portuguesa como nenhum outro: Bons Sons, em Cem Soldos, Tomar.

Ainda assim, não vos falo do festival como um todo. Falo sim de uma banda que, a meu ver, deu o melhor concerto dos 4 dias de programa: Dead Combo.

A imagem pode conter: 1 pessoa, em palco, a tocar um instrumento musical, guitarra e concerto

Foto: BONS SONS (DR)

Pelo nome em inglês, quase que podemos acusar estes cavalheiros (sim, uma banda masculina cheia de classe) de afrontarem o que é luso. No entanto, o drama “canta em português ou inglês?” neste caso não se instala: Dead Combo dedicam-se ao que é instrumental, mas vamos por partes.

Quem são os Dead Combo?

Fundada em 2003, a banda começou por tocar no “Maus Hábitos”, um local que respira (e transpira) cultura, no Porto, sob a alçada de Pedro Gonçalves e Tó Trips. Influenciados por fado, rock e jazz, a versatilidade poderia ser o nome do meio da dupla que compõe, maioritariamente, música instrumental. Com um historial rico em variedade, a banda já atuou em Cannes, Paredes de Coura e Nova Iorque, e as tours estão longe de cessar.

Atualmente, são 5 os músicos principais em palco: Pedro Gonçalves (contrabaixo, kazoo, guitarra e escaleta), Tó Trips (guitarra), Alexandre Frazão (bateria), Guilherme Prazeres (saxofones), Gonçalo Prazeres (saxofones) e António Quintino (contrabaixo).

Vale a pena ouvir?

Sim, mas mais do que ouvir, aconselho vivamente a que se assista ao vivo. 

Os instrumentos ganham um poder extraordinário, que abraçam a plateia num sentimento de fascínio pela arte que se concretiza no palco. Quer seja na montra ou nas filas do fundo, a sensação de completude não nos abandona e só se intensifica ao longo do concerto. Do Jazz ao Rock, passando pelo Storytelling, não me canso de dizer que versatilidade é o apelido da banda e é essa qualidade que faz os concertos valerem tanto a pena.

Por isso, é obrigatório ouvir estes senhores! Vão estar em Braga dia 1 de setembro e na Casa da Música dia 23 de outubro. Deixa-te levar pelo verdadeiro espetáculo que é assistir a uma orquestra de 5 pessoas e não estranhem a falta de cantoria.

Eu diria, até, que mesmo sem voz, a música de Dead Combo fala bem alto.

Marcações: Verão, Arte, Música, CD's, Artistas, Festivais

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