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O Facebook leva-te a algum lado

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É verdade, nem só de afastamentos se fazem as redes sociais e prova disso são os inúmeros concursos existentes nesta plataforma que ciber-une pessoas, mas que parece às vezes afastar o lado mais humano. Se há prova disso, então sinto que talvez eu a personifique.

 Participei num concurso no Facebook “Become Parliament’s editor for a day!”, no qual tive que submeter um vídeo que me apresentasse como uma boa escolha para ser editora da página de Facebook do Parlamento Europeu (PE) durante um dia. O vídeo foi enviado, chateei amigos, primos e ainda desconhecidos para que colocassem ‘gosto’ no mesmo e, seguidamente, sob a avalização de um júri, fui uma das felizes congratuladas. Assim começa uma jornada em nada planeada, mas com imenso potencial de mudar a forma como eu via a União Europeia nos passados dias 12, 13 e 14 de dezembro, a Estrasburgo.

Sim, algo que começou por um simples anúncio no meu feed transformou-se numa experiência fora da caixa. Se estiverem interessados, fora, desencaixem-se também:

O programa

Cheguei a Estrasburgo no dia 12 de dezembro, mas foi só no dia 13 que a equipa do PE nos orientou no edifício. Em conjunto com outros dois vencedores do concurso, cheguei ao Parlamento bem cedo, esperava-nos uma agenda repleta de ação e um quanto cansaço.

Conhecemos a equipa de social media do PE e, logo pela manhã fizemos o primeiro post oficial do dia, um vídeo onde nos apresentávamos como os vencedores do concurso. Seguidamente, era hora de obter as credenciais e treinar a entrevista que iríamos posteriormente fazer ao presidente do PE, Antonio Tajani.

Sim, leram bem, o presidente.

Não o conhecia por isso, para além de uma veloz viagem entre países fui bastante rápida também no google (Wikipédia, admito pronto). Entrevistar Antonio Tajani já era por si só algo de grande e inesperado. Ainda assim, a equipa do PE não achava suficiente por isso, em acréscimo surge a incrível e assustadoramente rebelde ideia de fazer a entrevista em direto. 

Em. Direto.

Nunca o tinha feito e claro, estava nervosa. O cenário na minha cabeça era simples: ia entrar na sala, tropeçar, cair em cima da mesa e provavelmente parti-la. Nada disso aconteceu, ufa.

Depois, entrevistamos um dos laureados dos prémios Sakharov. Não são muito conhecidos, mas tratam-se de prémios que enaltecem personalidades, instituições ou movimentos que dedicam as suas vidas à defesa dos direitos humanos e liberdade de expressão. O grande vencedor deste ano foi a Oposição Democrática da Venezuela.

Não entrevistamos os vencedores, mas sim uma das laureadas: Lolita Chavez, uma mulher natural da Guatemala e que luta diariamente pela proteção dos povos e florestas indígenas do seu país. Por isto, já foi perseguida e inclusive sofreu ameaças de morte. Sem dúvidas que foi um momento incrivelmente inspirador poder falar com uma pessoa que age em prol de um bem maior.

Após a entrevista, assistimos à cerimónia de entrega dos prémios no hemiciclo, a sala enorme onde se sentam todos os 751 membros do PE (aquela típica sala com imensas cadeiras azuis).

Almoçámos e de seguida fizemos uma visita guiada pelo edifício. Preparámo-nos para escrever o último post, e desta vez associamos o mesmo a um tema à escolha. O Serviço de Voluntariado Europeu foi o tema escolhido:

O regresso a casa foi tranquilo e acompanhado de um enorme sorriso. Afinal de contas, fui acolhida de uma forma incrível pela equipa! (e bebemos vinho francês Pinot Gris, que contribuiu ainda mais para um índice de felicidade enorme).

Lombas na estrada

Não, não foi na estrada, mas sim pelos ares: há sempre imprevistos, solavancos que nos testam e ainda momentos que nos forçam a crescer. Uma vez mais, fora de qualquer planeamento surgiram percalços e peripécias que são assustadores no momento em que acontecem, mas excelentes histórias de lareira meses depois.

Estava em Frankfurt e quase perdi o voo de volta a Portugal. Não era culpa da Lufthansa, empresa com a qual voei, nem culpa do autocarro que me tinha levado de Estrasburgo a Frankfurt. Não foi culpa dos meus colegas, nem dos funcionários do aeroporto. Seria de quem? Somente minha. Pequenas distrações que se acumularam e que quase me afastaram da cidade do Douro e dos braços que me queria acolher de volta. Sim, foi cena de filme. Sim, corri desalmadamente pelo maior aeroporto que alguma vez vira. E sim, entrei no avião não graças à minha rapidez, mas sim graças à tripulação que esperou por mim. Não tinham que o fazer, mas esperaram e isto é uma das duas grandes lições que retiro desta experiência.

O bom, o mau e a Lufthansa

A moralidade está em todo o lado, e deixar que esta desvaneça é muito, muito fácil. Pensamos que espíritos vis estão em todo o lado e que já ninguém age por bondade. Os funcionários do aeroporto de Frankfurt não foram assim. Ajudaram uma jovem portuguesa e não tinham que o fazer. A moralidade falou mais alto que a racionalidade e permitiu que esta alma amadora chegasse a Portugal sã e salva.

Aprendi ainda algo de surpreendente e bastante simples: o PE é feito de pessoas. Pessoas que respiram, comem e agem. Gostam de memes e sorriem quando passam por mim. Não é feito de máquinas e instrumentos fúteis, mas sim de pessoas como eu e tu.

O mundo é bem mais pequeno do que eu pensava e o Parlamento? Bem mais simpático.

Parece mesmo que, no fim do dia, somos todos pessoas quer sejamos funcionários da Lufthansa, membros do parlamento europeu ou jovens amadoras portuguesas.

Um enquadramento fora de caixa, não acham?

Marcações: Política, Viagens , Europa, Venezuela, Tempos Livres, Alemanha, Parlamento Europeu

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