Qual a origem do nome das cores?

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Já imaginaste a viver num mundo sem cores? Precisamente por estarem presentes em todos os elementos do nosso dia a dia, as cores foram ganhando importância ao longo do tempo. Mas nem sempre existiu uma variedade tão grande como a que conhecemos hoje. 

É difícil imaginar, mas, há muito, muito tempo, as línguas nem mesmo tinham nomes para todas as cores, sendo que algumas acabavam por ser representadas por uma mesma palavra. O tempo passou e as sociedades viram-se obrigadas a criar nomes para tantas nuances.

O mais curioso é que ao observar culturas isoladas, os especialistas notaram que, no geral, as cores recebiam os

Um pouco de história

Os linguistas defendem a ideia de que a maioria das línguas europeias e parte dos idiomas da Ásia tiveram um passado em comum, que recebeu o nome de protoindo-europeu (PIE) e estima-se que era falado há volta de 5 mil anos a. C.

A partir daí, muitos outros idiomas tiveram origem, incluindo as línguas românicas, da qual o português faz parte ao lado do francês, espanhol, italiano e romeno. Já o inglês, que é atualmente um dos idiomas mais falados no mundo, vem da família das línguas germânicas, de onde também surgiu o alemão e o holandês.

As línguas românicas, também conhecidas como línguas latinas, evoluíram a partir do latim, especialmente do latim vulgar que era falado pelas classes mais populares. Isto explica o facto da origem de muitas palavras do português estar no latim, mas também não podemos deixar de levar em consideração a influência de outros idiomas, como o árabe, o alemão, o francês, o inglês, o italiano e algumas línguas africanas, por exemplo.

Preto

Em latim, a palavra que designava a cor preta tinha o significado de algo denso, espesso e, por consequência, apertado. A partir daí fica mais fácil entender a origem do nome, que está no latim appectoráre, que significava “comprimir contra o peito”. Com o tempo, a palavra transformou-se em apertar e depois ganhou a forma atual.

A palavra negro, que também designa a cor escura, tem sua origem no latim nigrum, sendo que noutras línguas latinas ganhou formas bastante semelhantes: negro (espanhol), nero (italiano), noir (francês) e negru (romeno).

Já em inglês, a palavra black remete à escuridão. A Sua origem está na palavra *blakkaz (do proto-germânico), que evoluiu para blaec (no inglês antigo) e chegou à forma que conhecemos hoje.

Branco

Em latim, o oposto da cor mais densa era albus e é justamente daí que temos palavras eruditas como alvo e albino, que remetem à cor branca. Já a própria palavra branco tem origem germânica e significava originalmente algo reluzente, brilhante ou polido. Isso permite-nos entender melhor o sentido da expressão “armas brancas”.

É interessante notar que a forma latina original só se manteve em romeno (alb), sendo que as demais línguas latinas também aproveitaram a versão germânica e formaram palavras como blanco (espanhol), blanc (francês) e bianco (italiano).

Em inglês, acredita-se que a palavra que representava a cor branca em PIE fosse *kwintos. Depois ela se transformou em *khwitz (proto-germânico), hvitr (nórdico antigo), hwit (saxão antigo) e wit (holandês). Um tempo depois e a palavra que se usa é white.

Vermelho

De ceretza que já ouviste dizer que o pigmento vermelho é retirado de um inseto chamado cochonilha? Pois é justamente nesse animal que está a origem do nome e da cor que conhecemos hoje. Coccum é o nome latino desse inseto que produz pigmentos em tons de vermelho. Por esse motivo, em latim, a cor escarlate ganhou o nome de coccinus, que chegou até ao grego moderno como kókkinos. Em português, nós perdermos o nome original do animal, mas ficamos com a ideia de um “pequeno verme”, que é de onde veio vermiculum, a palavra que deu origem à nossa cor.

No proto-germânico, a palavra usada para designar objetos vermelhos era *rauthaz, derivada de raudr (nórdico antigo), rod (saxão antigo) e rØd (holandês), chegando até o red do inglês moderno.

Verde

Curiosamente, mesmo sendo de famílias diferentes, a origem do nome da cor verde em inglês e português tem uma explicação bastante semelhante. Nos dois casos, a palavra que deu origem ao nome da cor significava crescer, verdejar. Em latim, o verbo é viridem, que é de onde veio o nosso verde – além da mesma forma ter sido adotada em espanhol, romeno e italiano –, que se transformou em vert para os franceses.

Já em PIE, o verbo crescer era *ghre, que se tornou graenn (nórdico antigo) e grown (holandês). Em saxão antigo, a palavra grene indicava tanto a cor quanto coisas jovens e imaturas e foi daí que veio a palavra green que conhecemos hoje.

Amarelo 

A etimologia do amarelo é um pouco mais incerta, mas acredita-se que seja uma derivação da palavra amarus, que era o diminutivo de amargo em latim.

A cor duvidosa da substância também nos chama atenção para o facto de que durante muito tempo as divisões do espectro de cores não eram muito exatas, o que acabava por resultar num mesmo nome para o que hoje entenderíamos como duas cores.

Ist fica ainda mais claro se pensarmos que no PIE a palavra *ghel era usada tanto para verde quanto amarelo. Chegou ao Norte da Europa na forma de gulr e ganhou as grafias geolu e geolwe no inglês antigo. Com o passar do tempo, a palavra transformou-se em yellow no inglês moderno.

Azul

Embora o latim seja a base da nossa língua portuguesa, a palavra cerúleo (do latim caeruleus) é muito pouco usada. A verdade é que o nosso famoso azul vem do árabe, que por sua vez veio do termo persa que designa uma pedra preciosa chamada lápis-lazúli. Essa forma também chegou ao espanhol (azul) e ao italiano (azurro).

Por outro lado, o francês não seguiu a mesma ordem das demais línguas latinas e foi buscar o seu bleu nas línguas germânicas, onde a palavra *bhle-was (PIE) significava brilhar. Depois veio o proto-germânico (*blaewaz) e o inglês antigo (blaw). Curiosamente, o blue do inglês moderno é uma das palavras de origem francesa que compõem o idioma.

 

Marcações: Línguas, Países, Cores, Nomes

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