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Jovens (Santos) que mudaram o mundo: Edith Stein

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Edith Stein nasceu em Breslau a 12 de outubro de 1891, a mais nova de 11 irmãos. Importante filosofa e teóloga do século XX, tem uma história de vida que vale a pena conhecer. 

O pai de Edith, que geria uma empresa ligada ao sector da madeira, morreu quando Edith acabara de completar dois anos. Este primeiro momento fez com que Edith perdesse a sua fé em Deus. "Eu conscientemente decidi, por minha própria vontade, desistir de rezar", escreveu ela nos seus diários.

Uns anos depois, na universidade em Göttingen, Edith Stein conheceu o filósofo Max Scheler, que dirigiu sua atenção para o catolicismo romano. 

"Eu não tenho mais vida própria", escreveu Edith no início da Primeira Guerra Mundial, tendo feito um curso de enfermagem e ido servir num hospital de campo austríaco. Este foi um período difícil, durante o qual cuidou dos doentes na ala da tifóide, trabalhou numa sala de operações e viu jovens morrerem. Quando o hospital foi dissolvido, em 1916, Edith prosseguiu para doutoramento, onde obteve a máxima distinção com a tese "O problema da empatia". "

No outono de 1918, Edith Stein desistiu demitiu-se do seu trabalho como professora assistente. Queria trabalhar de forma independente. Não foi senão em 1930 que ela viu Husserl (o seu tutor e filósofo) novamente após a sua conversão, e ela partilhou a sua fé, e explicou como gostaria que ele se tornasse um cristão também. No seu diário escreveu "Quando sinto uma certa incapacidade de influenciar as pessoas diretamente, fico mais ciente da necessidade do meu próprio holocausto".

Pouco tempo depois, e de volta a Breslau, Edith Stein começou a escrever artigos sobre o fundamento filosófico da psicologia. Simultaneamente, também leu o Novo Testamento,  e Inácio de Loyola, nomeadamente os exercícios espirituais propostos pelos jesuítas. Sentiu que não se podia simplesmente só ler este tipo de livro, mas tinha que colocá-lo em prática.

A Conversão

Certa noite, Edith descobriu a autobiografia de Santa Teresa de Ávila e leu esse livro a noite toda. "Quando terminei o livro, disse a mim mesma: esta é a verdade." Mais tarde, relembrando a sua vida, escreveu: "O meu desejo pela verdade centrava-se na oração".

A 1 de janeiro de 1922, Edith Stein foi batizada. Imediatamente depois da sua conversão, Edith quis juntar-se a um convento carmelita, mas não conseguiu. 

Com a chegada de Adolf Hitler e do partido Nacional-socialista (Nazi) ao poder em 1933, em abril é publicada a lei que proíbe a presença de judeus em cargos públicos. Edith Stein é então demitida do posto de docente do local onde dava aulas, e não podendo também realizar conferências e dar aulas, consegue entrar no convento carmelita em outubro de 1933, tomando o hábito com o nome de Teresa Benedita da Cruz. Tem permissão da sua superior para continuar os seus estudos académicos. Publica vários textos inclusive o estudo sobre Teresa d'Avila.

Em abril de 1935, domingo de Páscoa, Edith faz os seus votos religiosos temporários. Em abril de 1938 faz os seus votos definitivos. 

Com a violência do regime nazi, em 1938, foge para a Holanda, e instala-se no Carmelo de Echt. A Alemanha entretanto invade a Polónia e tem início a Segunda Grande Guerra. Alguns familiares de Edith emigram para os Estados Unidos e para a Colômbia. Edith escreve um trabalho sobre Dionísio Aeropagita e começa a escrever A Ciência da Cruz, a sua obra mais importante.

Em 1940, os nazi ocupam a Holanda.

"Aconteça o que acontecer, estou preparada."

Em Abril de 1942, Rosa e Edith são registadas como judias pela Gestapo, a polícia nazi. Edith e as companheiras procuram conseguir visto para que ambas saiam da Holanda e entrem na Suíça, mas os papéis chegam depois da sua prisão.

A 26 de julho de 1942 os bispos católicos leem a carta pastoral, em todas as igrejas católicas holandesas, condenando a deportação de judeus. A 2 de agosto, como represália, são presos todos os católicos de ascendência judaica, entre eles Edith Stein. Uma semana depois, Edith morre na câmara de gás no campo de concentração em Auschwitz.

Três dias antes da sua morte, teria dito: “Aconteça o que acontecer, estou preparada. Jesus está aqui conosco".

Pelo seu heroísmo, no dia 1 de maio de 1987, foi beatificada por João Paulo II em Colónia e, a 11 de Outubro de 1998, foi canonizada pelo mesmo Papa, sob o nome de Santa Teresa Benedita da Cruz.

Um ano depois,  o Papa João Paulo II, numa carta apostólica proclamou Santa Teresa Benedita da Cruz, em conjunto com Santa Brígida da Suécia e Santa Catarina de Sena, copadroeira da Europa pelo particular contributo cristão não só à Igreja Católica, mas especialmente à mesma sociedade europeia através do seu pensamento filosófico.

Marcações: JOvens, Valores, guerra, Santos, II Guerra Mundial

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