Histórias para Crescer: Amizade escrita na areia ou na pedra?

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Dois bons amigos caminhavam no deserto. A certa altura tiveram uma discussão e um deles deu um estalo ao outro.

O jovem que recebeu a bofetada ficou muito triste, e sem dizer nada, escreveu na areia: "Hoje o meu melhor amigo deu-me uma bofetada".

Eles continuaram a caminhar até encontrarem um oásis com um lindo lago, onde pararam para se refrescarem. O jovem que levou a bofetada caiu num buraco com lama e começou-se a afundar, mas o seu amigo salvou-o. Depois de se recuperar do choque, escreveu numa pedra: "Hoje, o meu melhor amigo salvou a minha vida".

- Curioso! - Disse o amigo que lhe tinha batido e que agora o salvou - "Quanto eu te dei um estalo escreveste na areia. E agora que te salvei, escreveste na pedra. Porquê?"

O outro amigo respondeu: "Quando alguém nos magoa, devemos registar na areia, onde os ventos do perdão podem apagar o que está escrito. Mas, quando alguém faz algo de bom por nós, devemos gravá-lo em pedra, onde nenhum vento o possa apagar".

Esta história recorda-me um costume numa tribo de África: quando um elemento da tribo faz algum erro ou crime é levado para o centro do círculo constituído por toda a tribo onde lhe recordam todas as coisas boas que essa pessoa fez e o quanto gostam dela. Eles acreditam que quando alguém faz algo negativo é porque se afastou da sua essência e tem de ser recordado da sua bondade, para voltar a ser quem é.

Contudo, nos nossos tempos e na nossa sociedade temos dificuldade em recordar o bom que cada pessoa faz por nós e só valorizamos as coisas negativas. Aliás, há muitas amizades que terminam por um episódio negativo sem que haja tempo para explicações. Parece que quase esperámos que o outro “meta o pé na poça” para o acusarmos e para nos afastarmos.

Isto acontece também com cada um de nós: parece que só valorizamos as coisas negativas e erradas que fizemos, como se o fazermos bem fosse uma obrigação de que não nos podemos desviar. Também nesses momentos temos de nos esforçar por recordar todas as coisas boas que já fizemos e que aquele episódio negativo não pode ser mais importante que todo um passado de coisas boas.

Mesmo que o nosso amigo faça alguma maldade de modo consciente, às vezes só precisa que alguém lhe recorde como já foi bom e como tem bom coração. Erros todos cometemos, mas todos temos o direito e a obrigação de aprender com os erros. É importante perceber que não são os erros que definem uma pessoa e não permitir que se coloquem rótulos negativos às pessoas que gostamos.

Marcações: Valores, Amizade, Histórias

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