Laranja: de manhã ouro, à tarde prata e à noite mata?

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A Laranja é um fruto abundante no nosso país. Por isso mesmo é também muito conhecida a famosa frase “Laranja: de manhã ouro, à tarde prata e à noite mata”. Embora não seja conhecida a razão inicial pela qual esta frase se tornou tão conhecida, fica aqui uma sugestão pessoal da sua explicação.

A Laranja é realmente um fruto que “vale ouro”. Sim, é um fruto muito bom porque tem fibras, que ajudam no funcionamento do aparelho gastrointestinal, açúcar, para dar energia, e vitamina C, que tem efeitos antioxidantes e um papel importante na defesa contra doenças. Aliás, talvez até já tenhas ouvido falar de uma doença chamada Escorbuto. Esta era frequente nos marinheiros do século XVI que passavam muito tempo nos barcos, ficando longos períodos sem comer fruta e, por isso, não ingeriam vitamina C. Assim desenvolviam esta doença que provocava inchaço da língua e das gengivas, dores nas articulações e feridas que não cicatrizavam.

Contudo, este é um fruto relativamente ácido, levando então a um aumento da acidez do nosso estômago quando o ingerimos. Na verdade, como talvez já soubesses, o nosso estômago tem um ácido que ajuda a digerir os alimentos que comemos mas quando este é produzido em grandes quantidades sentimos o que costumamos chamar de azia ou má disposição. Como se tivéssemos algo a arder por dentro. E quando é que isto acontece mais? Quando comemos demasiado ou quando nos deitamos a seguir a comer. E porquê?

Para compreenderes melhor: o nosso aparelho digestivo é como se fosse um tubo que começa na boca e termina no ânus, tendo algumas “curvas”, ou seja, órgãos, com funções específicas pelo meio. Pois bem, começando na boca, os alimentos passam depois pelo esófago e a seguir vão para o estômago. Então e como garantimos que os alimentos não voltam para trás? Há vários mecanismos mas aqueles que importam para percebermos melhor este assunto são a lei da gravidade, que vai empurrar os alimentos para baixo, ou seja, para o estômago, e uma espécie de tampa por cima do estômago que se chama esfíncter esofágico inferior. Este deixa a comida passar do esófago para o estômago mas tenta impedir o trajeto inverso. Contudo, quando comemos demasiado, o estômago alarga, alargando também a sua abertura superior. Nesta situação a tal “tampa” não consegue ocluir todo o espaço e deixa passar parte do ácido para o esófago. Já quando estamos deitados o que acontece é que deixamos de ter a ajuda da lei da gravidade e os alimentos mais facilmente voltam do estômago para o esófago.

Agora percebes que é mais fácil termos azia à noite, porque nessa altura costumamos estar deitados após as refeições. Contudo, isto habitualmente não acontece porque o nosso organismo está bem adaptado a estas situações. Ainda assim, se aumentarmos a quantidade de ácido do estômago – como acontece quando ingerimos laranjas – estamos a aumentar a probabilidade disso acontecer.

Então mas a laranja mata mesmo à noite?

Não, não mata. Provavelmente o que as pessoas que inventaram este ditado queriam dizer é que a laranja à noite não deveria ser ingerida porque embora não mate, dá um grande desconforto pela azia que provoca. (E à tarde, se já estivermos mais tempo sentados ou se se tivermos mesmo deitados, já não vamos precisar de tantos nutrientes da laranja – o seu “ouro” – e já temos o risco de ter alguma azia também, por isso passa a valer só como prata).

Assim sendo, podes comer laranjas à noite (e lembra-te que os benefícios que tem de manhã, continua a tê-los ao longo de todo o dia). No entanto, evita deitares-te logo após o jantar (mesmo que não comas laranjas) porque assim vais diminuir a probabilidade de vir a ter azia.

Marcações: Saúde , Crescimento, Alimentação, Laranja

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