Jovens que Mudaram o Mundo: Maya Angelou

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Maya Angelou é um importante símbolo da cultura afroamericana. Desde indicações para prémios Pullitzer a Grammys, Angelou foi uma defensora dos direitos civis e da igualdade. 

E tudo aquilo que conseguiu foi a partir da superação pessoal: depois de um abuso sexual na infância, sofreu de um mutismo patológico que durou quase cinco anos.

Maya, apelido derivado de “My” (meu) ou “Mya sister” (minha irmã), que ganhou do seu irmão mais velho, foi uma respeitada porta-voz das pessoas de raça negra e das mulheres e produziu obras consideradas uma defesa da cultura negra. Com imensas tentativas de censura dos seus livros, os seus trabalhos são recorrentes nas escolas e universidades do mundo todo.

Marguerite Annie Johnson nasceu em St. Louis, Missouri, a 4 de abril de 1928. Foi a segunda filha de um porteiro e nutricionista da marinha e de uma enfermeira. Quando Angelou tinha três anos e o seu irmão quatro, a separação dos seus pais fez com que os dois irmãos viajarem sozinhos para o Arkansas, onde morariam com a avó paterna, Annie Henderson, que era uma exceção nas duras condições econômicas dos afroamericanos na época porque prosperara financeiramente durante a Grande Depressão e Segunda Guerra Mundial graças a uma loja de artigos de primeira necessidade.

A avó, com a sua força e independência, foi um grande modelo e uma fonte de inspiração para Maya. A menina logo perceberia o que significava ser negra numa sociedade racista. “Era horrível ser negra e não ter controlo sobre minha vida”, escreveu na sua autobiografia, Sei Porque Canta o Pássaro na Gaiola

Com oito anos de idade, Maya volta para St. Louis, onde vive com a mãe e o seu namorado, que a violentou. O homem foi julgado e declarado culpado, mas só foi condenado a um dia de prisão. Quatro dias depois de sair da cadeia foi assassinado, provavelmente pelos tios de Angelou, e Maya permaneceu muda durante quase cinco anos acreditando que “eu matei aquele homem porque disse o seu nome. E depois pensei que nunca mais voltaria a falar, porque a minha voz poderia matar qualquer um...”

Foi durante esse período de silêncio que Maya Angelou desenvolveu a memória extraordinária, o amor pelos livros e pela literatura e a grande habilidade de observar e escutar o mundo que a rodeava. De volta à casa da avó, uma professora e amiga da família, a senhora Flowers, a ajudou a recuperar a fala e apresentou-lhe Charles Dickens, William Shakespeare, Edgar Allan Poe, Douglas Johnson e James Weldon Johnson, escritores que, ao lado de artistas feministas de raça negra como Frances Harper, Anne Spencer e Jessie Fauset, teriam influência na sua vida.

Aos 14 anos, Maya Angelou e o seu irmão voltam a morar com a mãe, desta vez em Oakland, Califórnia, e começa uma vida rica em experiências e aventuras. Durante a Segunda Guerra Mundial, Angelou estudou na Escola de Trabalho Social da Califórnia e, antes de se formar, foi a primeira mulher negra a conduzir um elétrico em São Francisco. Três semanas depois de terminar a escola, aos 17 anos, deu à luz um filho, vendo-se obrigada a aceitar numerosos trabalhos para sustentá-lo, entre eles trabalhar como prostituta ou administrar um bordel.

Em meados de 1960, Maya Angelou desenvolveu sua escrita e confirmou seu compromisso com o ativismo social e a promoção dos direitos civis. Incentivada por amigos como James Baldwin, Angelou começou a escrever a sua primeira autobiografia, sobre os seus primeiros anos de vida, que lhe valeu uma indicação para o National Book Award em 1974. Em 1979, Angelouadaptou para um roteiro de televisão e produziu os volumes seguintes de sua autobiografia até 2002.

Em 1979 fez amizade com uma desconhecida apresentadora de Baltimore, Oprah Winfrey, que se tornou sua discípula por admirar a sua capacidade de sobrevivência e a sua capacidade de conquistar p seu espaço em mundos até então reservados para os homens brancos. Anos mais tarde, Winfrey, já rainha da televisão norte-americana e criadora de seu próprio Clube do Livro, foi um grande apoio para Maya Angelou.

Em 1993, Maya recitou ‘On the Pulse of Morning’ na cerimónia de tomada de posse de Bill Clinton, algo que não acontecia desde 1961, quando Robert Frost recitou na posse de John F. Kennedy. 

No final de 2010, Angelou doou tudo aquilo que escreveu a nível pessoal, assim como outras lembranças ao Centro Schomburg para a Pesquisa da Cultura Negra no Harlem. A doação consistiu em mais de 340 caixas nom notas escritas à mão em cadernos de folhas amareladas para a sua primeira autobiografia,cartas de admiradores e correspondência pessoal e profissional.

Em 2013, aos 85 anos, Angelou publicou a sua sétima autobiografia, intitulada Mom & Me & Mom, focada na relação com a sua mãe.

Maya Angelou faleceu a 28 de maio de 2014. Tinha 86 anos. Apesar do estado de saúde frágil, que a obrigara a cancelar aparições públicas, Angelou ainda escrevia, neste caso um novo livro, uma autobiografia sobre as suas experiências com líderes nacionais e mundiais.

As condolências pelo falecimento de Angelou chegaram de todos os setores e de todas as partes do mundo, desde artistas até líderes mundiais, incluindo Bill Clinton e Barack Obama. Na semana seguinte à morte de Angelou, a sua primeira autobiografia  ocupou o primeiro lugar na lista de mais vendidos da Amazon.

Marcações: JOvens, EUA , Mundo, Livros, África, Poemas, Barack Obama

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