A Luz de Jesus

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Todos os anos, o tempo da Quaresma oferece-nos o episódio da Transfiguração de Jesus no monte. No meio do convite à conversão e à penitência, a Igreja quer que olhemos também a luz que vem de Jesus e ilumina e dá sentido à vida. De facto, para compreender a Transfiguração, é preciso reconhecer Jesus com o sol da nossa vida e permitir que Ele a ilumine e aqueça.

Jesus leva consigo para o alto do monte os primeiros discípulos que tinha chamado e todo o episódio da Transfiguração é contado a partir da sua experiência. Ao ler o evangelho deste segundo domingo da Quaresma estamos a ver com os olhos de Pedro, Tiago e João para que possamos fazer a mesma experiência dos discípulos.

O monte, na Bíblia, é sempre lugar da revelação de Deus, mas é também o lugar onde se pode ver o mundo de outra perspetiva, com um olhar novo, um olhar do alto que vê o mundo com outra luz, outro detalhe e outra atenção. De facto, Jesus sabe que a nossa inteligência e a nossa compreensão não chegam para nos fazer entender a vida do mundo e por isso quer dar-nos uma nova perspetiva. Quer transfigurar-se diante de nós para vermos o mundo à sua luz.

São Pedro faz-nos perceber este novo olhar quando diz: "como é bom (belo) estarmos aqui!". De facto, à luz de Jesus, tudo parece melhor e mais belo. Cada um de nós, como os discípulos, consegue lembrar-se de momentos da sua vida em que experimentou a beleza da fé, a bondade de estar com Jesus. O Papa Bento XVI dizia que a fé viva deriva da capacidade que temos de nos maravilhar com Jesus. É assim com Pedro, no alto do monte, e é assim connosco, cá em baixo na terra, mas também todas as vezes em que subimos ao monte da nossa oração.

Mas esta maravilha de estar diante de Deus não é passiva. Não se fica pelas palavras. Para Pedro, a beleza de ver Jesus transfigurado dá-lhe forças novas: "Façamos três tendas...". Também nós, quando experimentamos a vida de Jesus em nós, sentimos a força renovada para O anunciar e dizer a todos a alegria que é tê-l'O connosco. E dizemo-lo com palavras e com gestos.

Com os olhos dos discípulos conseguimos ver também Moisés e Elias. A lei e os profetas. De facto, a beleza transfigurada de Jesus, faz-nos compreender toda a ação de Deus no mundo, desde o principio, desde o Antigo Testamento. A Transfiguração dá-nos esperança. Se Cristo é glorioso, também nós somos destinados à glória. Só temos de nos deixar transfigurar por Ele.

Com os olhos de Pedro, Tiago e João vemos chegar uma nuvem que cobre todo o monte. Vemos a presença de Deus, do Deus libertador. E com os ouvidos dos apóstolos-amigos ouvimos uma voz que nos diz: Este é o meu Filho! A voz de Deus tem agora um rosto e é do Jesus. Queremos ver Deus só temos de o olhar, ressuscitado e glorioso. E a voz continua: "escutai-o!". Eis o que quer Deus de nós: que escutemos o Seu Filho. Que demos tempo e coração à Palavra de Jesus para aprendermos d'Ele.

Completamos a experiência dos discípulos quando ouvimos Jesus dizer, depois de recuperar a sua luz humana e guardar a divindade para o Domingo da Ressurreição, que é preciso descer do monte. A Transfiguração não se fecha no monte. Tem de dar frutos. Vimos Jesus glorificado e agora temos de o seguir. Temos de ir com Ele a Jerusalém para o ver conquistar de novo a luz da glória depois de se entregar na cruz.

Quando, na nossa vida, sentirmos que as coisas estão escuras, que não vemos luz no caminho que está à nossa frente…lembremo-nos da Transfiguração.

Lembremo-nos das vezes em que fizemos experiência da beleza da presença e da ressurreição de Jesus para encontrarmos a força de seguir adiante, até ao dia em que estaremos plenamente com Ele.

Marcações: Evangelho, Jesus , Comentário , Quaresma, Discípulos

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