Aprender História com um jogo de computador - É possível?

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O que compõe um período histórico passa inevitavelmente pelas personalidades que viveram durante esse intervalo de tempo, movimentos artísticos, forma de agir e pensar das populações e mais uns quantos tópicos que, tal como as ilustrações maçadoras dos nossos manuais se tornam nada apelativas quando enumeradas desta forma tão aborrecida.

No entanto, a História pode ser fascinante, por isso, primeiramente há que encontrar uma razão coerente para a estudarmos, sem ser porque o professor insiste ou porque a mãe vai esconder o computador ou a PlayStation. Depois vejamos como estudar algo tão antiquado e que engloba um bando de gente que já morreu.

Surge então a primeira questão, porquê estudar História?

Ponto 1 - Estudar o que já aconteceu permite-nos avançar para respostas a problemas de forma mais rápida

Este primeiro ponto encontra a Ciência. Na investigação científica tudo ronda à volta de trabalho de laboratório e artigos. No entanto, o projeto de investigação propriamente dito nunca começa no laboratório, mas sim no computador. Suponhamos que queremos responder à questão Será que o hidrogénio é uma fonte de energia rentável para um automóvel?.

Ora, antes de iniciar todo o processo prático há que compreender se alguém em todo o mundo já concluiu alguma coisa quanto ao assunto e, para isso há que ler artigos sobre o tópico. Assim que compreendermos em que estádio está a investigação, podemos então avançar na procura da resposta. O mesmo acontece com a História.

Imaginemos que, por intermédio de uma experiência social queremos compreender se o capitalismo realmente promove uma sociedade justa ou não. Antes de chamarmos pessoas e começarmos entrevistas sobre o dinheiro nas suas vidas, convém ler o trabalho de alguns filósofos passados que já têm respostas bem coerentes quanto ao assunto. Assim sendo, não começamos do zero, mas sim de um nível bem mais avançado. (Já agora, se gostam deste tópico do capitalismo, aconselho a que leiam Adam Smith, tinha umas ideias engraçadas.)

Assim sendo, com a História torna-se muito mais intuitivo este processo de repensar as sociedades atuais, confrontando a realidade de hoje com a de antigamente.

Ponto 2 - Podes armar-te em chico esperto em encontros porque sabes factos que mais ninguém sabe

O meu argumento preferido nesta questão de estudar História. Meus amigos, é fácil colocar detalhes e curiosidades em todo o lado, acabei de o fazer há umas frases atrás.

Aposto que não conheciam Adam Smith, pois não? E quando sugeri que lessem até parece que sei muito do assunto.  Não sei. Vi um vídeo no youtube e olhem, achei graça. Mas pude armar-me em chica esperta, e isto sim é alimentar o ego de forma mais útil do que pelos likes no Facebook.

 Ponto 3 - Percebendo os erros cometidos outrora, torna-se mais intuitivo resolver e prever os erros de hoje

Escusado será dizer que os seres humanos de há 200 anos não tinham telemóveis, por isso certamente a problemática das baterias viciadas e das aplicações desatualizadas não os abrange. No entanto, há sempre assuntos comuns a toda a humanidade e a qualquer ano: será que é possível atingirmos um estado pleno de saúde pública? Como é que a política pode ajudar os pobres? Será possível um desenvolvimento monetário equitativo de todas as classes numa sociedade?

Na procura de respostas às questões anterior, muitos já sofreram, fizeram sofrer e inclusive chegaram a conclusões com pouco conteúdo. Cabe-nos a nós, sociedade atual pegar nas falhas cometidas outrora e colmata-las, promovendo a criação de uma sociedade plena de desafios resolvidos e problemas escassos. Parecendo que não, a História merece lugar de destaque quando falamos de corrigir erros.

Agora que já percebemos um pouco do porquê de estudar história, pensemos na melhor forma de o fazer. Desde já peço desculpa a possíveis professores que poderão ficar ofendidos com estas palavras, mas a verdade é só uma: Não é a escrever no quadro os textos que estão nos manuais que a História se aprende bem.

Não sou pedagoga nenhuma, escrevo com a experiência de outro qualquer ex-estudante que, de forma desleixada foi estudando História. Não adorava a disciplina como adoro agora, porque nunca me foi empregue um método de estudo que despertasse o meu interesse.

Fica então a questão: como é que de repente eu comecei a gostar de História?

A resposta é um quanto peculiar, mas é graças à PlayStation que posso falar de uma paixão por esta disciplina. Porquê? Porque me permitiu jogar Assassin’s Creed.

Uma gama de jogos internacionalmente conhecida e criada pela Ubisoft em 2007, a franquia Assassin’s Creed é querida por muitos, estando eu incluída neste círculo de fãs aos encapuzados. Tudo ronda um conjunto de personagens que, recorrendo a perfis genéticos, nos permitem conhecer os dias dos seus antepassados em períodos históricos fantásticos. Os jogos de que mais gostei foram os que estão relacionados com o Renascimento, sendo a personagem principal Ezio Auditore, um indivíduo italiano do século XVI que, por intermédio de missões e uma aventura muito bem imaginada, nos permite percorrer as ruas italianas em pleno período renascentista.

Ezio Auditore, personagem principal de Assassin's Creed II, Brotherhood e Revelations

Para além de viagens virtuais fenomenais pelas cidades, é possível ainda interagir com NPCs (Non- Player Characters) que retratam pessoas extraordinárias. Sim, a modos que já falei com o Leonardo da Vinci e com Nicolau Maquiavel e foi a partir destas interações que fiquei a conhecer o trabalho desenvolvido por estes artistas e grandes pensadores. Não, não foi por intermédio das ilustrações nos manuais.

 

Ezio Auditore nos telhados de Florença, Itália, século XVI. À direita está o Il Duomo, uma das maiores catedrais do mundo. À esquerda encontra-se o Campanário de Giotto.

Personagem de Leonardo da Vinci em Assassin's Creed

É claro que para tudo, é preciso um balanço. O jogo despertou um interesse pela História, mas é impossível dominar certos conteúdos sem uma leitura atenta. Após o interesse há que cultivar o que se vai aprendendo pelas ruas e aventuras virtuais.

Por isso, mães, deixem de esconder as PlayStations, pelo menos só desta vez e logo se vê se a sociedade fica plena de chico espertos.

Marcações: Escola, História, Livros, Amigos, Arte, jogos, Pais, Computador, Professor, Artistas, Itália, Ficção

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