Quando o pião não para - As "crises de fé"

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Com uma palavra pouco simpática, diz-se que a criança é egocêntrica. O significado é simples: a criança gira à volta de si própria como um pião. Vê e escuta tudo aquilo que a rodeia em função de si própria. Também a ideia que a criança tem de Deus não foge a este mecanismo. Deus está ali para a servir, para a  ajudar, para a consolar.

Quantas pessoas, precisamente quantos cristãos, não permanecem por toda a vida com esta visão infantil e instintiva de Deus! É a religião primitiva. Deus está ali à disposição do homem. Precisa-se de uma coisa? Pronto! Basta orar a Deus, é suficiente oferecer-lhe um presente: uma oração, uma vela... E Deus escuta-nos. Mas não acontece assim. Então surgem as crises de fé  umas atrás das outras. Isto Deus não mo devia ter feito; Ele não me escuta, e eu nunca mais ponho os pés na igreja! O que é que aconteceu realmente? a situação de muitos rapazes e raparigas (e de adultos). O menino pião cresceu e deu o lugar ao homenzinho com necessidade de se abrir aos outros.

Os outros não estão ali para nos servir, mas para nos convidar a sair da nossa concha; para nos fazer sentir pobres se não lhes abrimos a porta. Que aventura e que emoção para uma adolescente descobrir que há um jovenzinho, um outro, que nada lhe deu como, pelo contrário, o fizeram o pai e a mãe, e contudo entra na sua vida e adquire mais importância para a adolescente do que aqueles que a embalaram e alimentaram. É a capacidade de amar que chega e faz parar o pião; o amor, de facto, é o contrário do egocentrismo. Deus não fica de fora desta maravilhosa fase de crescimento, e entra em crise a ideia que se tinha dele.

Não tapa-buracos mas «voz»

Infelizmente, muitas vezes esta crise de fé constitui o momento de abandono da prática religiosa para muitos adolescentes. A criança, alimentada abundantemente com catecismos, orações e ritos até aos doze anos, passa agora a praticar o jejum. Agora abandonou tudo, diz-se dela, e recomeça-se com um outro exército de crianças. Precisamente no momento em que descobrem os outros que o chamam, que valorizam, que dão um sentido à vida, o rapaz ou a rapariga têm poucas possibilidades de descobrir o outro. Por vezes não fica senão a insistência da mãe: Vai à Missa!.

«Estou à porta e bato»

Em que consiste, realmente, esta crise de fé ? É uma crise de crescimento. É o abandono de um Deus que o homem queria ao seu serviço, por poucas moedas. É o momento mais oportuno para conhecer o Deus da Bíblia que chama o homem a abandonar a sua terra; que se coloca à porta do pião e bate até que a porta se abra. Seria bom que todos os adolescentes encontrassem quem lhes anunciasse este Deus, este «Outro», que é o caminho através do qual se poderá andar, com equilíbrio, para acolher a todos os outros. Falar com a parede? Já é alguma coisa, porque o muro é uma realidade diferente de nós, é um «outro».

Esperemos que, em breve, em vez do muro esteja um amigo mais velho, um grupo, um educador, um padre... Alguém que ajude a descobrir o Deus que chama. Será uma aventura maravilhosa, da qual os olhos do rapaz, que fazem bater o coração à adolescente, serão apenas um pequeno, um pobre sinal.

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