Vazios em horários – será a Filosofia assim tão oca?

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As metas daquilo que devemos aprender na escola estão em constante mudança. Ora se altera a ordem das coisas, ora se abordam tópicos completamente diferentes de geração para geração. No entanto, no meio de tanta mudança há algo que não muda: as disciplinas. Matemática continua a ser Matemática , e Português e História estão estancadas, como tantas outras disciplinas. Hoje gostava de te falar de outra - Filosofia.

Não te preocupes, isto não é um texto que enuncia o quão incrível é a Filosofia e quão errados estão todos os adolescentes que não gostam dela. A verdade é uma – há um grupo muito restrito de pessoas que gostam, efetivamente da disciplina de Filosofia nas escolas portuguesas.

Gostar da área por si só, já é outra história.

Veja-se um exemplo bem próximo: eu detestava a disciplina de Filosofia embora adorasse ler os mais variados filósofos. Tal acabava por acontecer porque nas aulas eu não fazia nada para além de ouvir teorias e decorá-las. Não havia espaço para refutar ou procurar refutar, a memorização era o processo chave e o confronto de ideias pertencia ao vácuo.

Antes de compreender o porquê da Filosofia merecer algum mérito, vamos perceber o porquê desta área estar inserida na escolaridade de tantos alunos (se ainda não tens esta disciplina, ficas já com um gostinho).

Em 1996 surge o relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI, com o nome de Educação, um tesouro a descobrir. Vulgarmente denominado de Relatório Delors, em virtude de um dos autores, este documento enuncia os quatro pilares da educação:

- Aprender a conhecer

- Aprender a fazer

- Aprender a viver com os outros

- Aprender a ser

Destes 4 tópicos, é destacado o terceiro, ‘Aprender a viver com os outros’ que encontra apoio na coligação da História e da Filosofia para enaltecer uma aprendizagem que origine a capacidade de viver em comunidade.

É então assim, pelas mãos de engravatados da União Europeia que surge a Filosofia na vida dos alunos portugueses. Infelizmente, o objetivo que é cumprir com o terceiro pilar, não acontece para todos. Alguns alunos têm a sorte de encontrar dinamismo na sala de aula, onde efetivamente o processo de aprendizagem acontece. Outros, como eu, decoram, debitam e esquecem. Para aqueles que passam pelo mesmo que já passei, ficam aqui breves descrições de dois filósofos interessantíssimos e que, com sorte, talvez desperte o teu interesse pela Filosofia e traga algum conteúdo às gavetas vazias dos horários.

René Descartes

Autor da célebre frase Penso, logo existo, Descartes dá um valor abrupto à dúvida, utilizando-a como método para adquirir respostas. O pensamento anterior a Descartes assentava sempre num ponto de partida em objetos e ambientes rodeantes. O filósofo francês dá uma volta a este panorama e parte do interior da consciência e do âmago de si mesmo. Um exemplo torna-se mais fácil: o ‘eu’ não se pode ignorar tal como o a vassoura não se pode varrer. Descartes parte do ‘eu’ providenciando uma pitada de narcisismo ao século XVII.

Immanuel Kant

Dos filósofos mais conhecidos, Kant aborda um tópico mais que interessantes: o conhecimento e a liberdade. Afinal de contas, como é que o entendimento pode conhecer a realidade corretamente? Outra dúvida surge-lhe no entretanto: o conhecimento pode existir a priori, ou seja, antes da experiência? Para finalizar, mais uma questão que talvez vos entusiasme a perceber este senhor que anda pelos livros de Filosofia de 10º ano: será que somos livres ou está tudo pré-determinado?

Será que escolheste mesmo ler este artigo? Ou será que o timing da autora a escrevê-lo, e o facto de hoje teres feito scroll no teu Facebook durante precisamente 2 minutos e 27 segundos porque não tinhas tempo para mais, te mostrou o link que te transportava para um texto que fala precisamente da disciplina que vais ter daqui a meia hora.

Foste tu que decidiste ler isto, ou a causalidade dos eventos que te rodeiam?

A Filosofa não é oca, não está vazia de interessa e não é um vácuo de ideias e poder de debate. Se ainda não sabes bem o que é que enche a Filosofia, uma certeza pelo menos já tens: a Filosofa está à pinha de questões. Dá espaço às tuas.

Marcações: Escola, Livros, Educação, Filosofia, Disciplinas

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