Queres cultivar a Vinha?

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Esta semana, Jesus volta a contar-nos uma parábola sobre uma vinha. Ele devia gostar imenso de vinhas. Provavelmente gostava de as olhar, de as contemplar, de ver as uvas a crescer. Isto é de tal forma verdade que ele chega a comparar-se a uma vinha: “Eu sou a videira, vós sois os ramos” (Jo 15,5). Se Jesus se compara a si mesmo com uma videira, parece-me que quando fala de vinhas fala de algo importante. Por isso, é melhor estarmos bem atentos quando Jesus começa a falar como hoje: “Havia um proprietário que plantou uma vinha…”

 DOMINGO XXVII DO TEMPO COMUM | Mt 21, 33-43

A parábola deste domingo não é nada difícil de compreender:

  • A vinha é o mundo, é a criação, é tudo o que de belo, bom e justo Deus planta e nos entrega para cuidar e amar.
  • Os trabalhadores da vinha somos nós. Sou eu e tu: todos juntos somos a esperança e a desilusão de Deus. Esperança porque Ele conta connosco para cuidar da vinha e produzir frutos bons; desilusão, porque achamos que podemos ser nós os donos da vinha em vez de o servirmos de coração alegre.
  • O motivo pelo qual matámos os enviados de Deus é o desejo de ter, de comandar, de ficar com o que não é nosso, de acumular.
  • O filho é Jesus. Que vem em nome de Deus para nos dar uma oportunidade sempre nova. E que nós, ainda hoje, ignoramos de tantas maneiras.

Tudo isto é claro. Poucas vezes Jesus foi tão direto. O que surpreende nesta parábola é a decisão final do dono da vinha. Quando Jesus pergunta: “Que fará agora o dono da vinha?”, os judeus não têm dúvidas: é preciso entrar na vinha à força e matar todos os assassinos dos servos e do filho. É preciso vingar-se.

A resposta de Jesus é outra: A vinha será entregue a quem produza frutos.

Deus não desiste da vinha. Não a entrega aos que a trataram mal. Ele continua a acreditar na vinha. Nos frutos. Em ti e em mim para sermos os novos trabalhadores da vinha.

E isto é muito reconfortante. Apesar das nossas dúvidas, dos nossos pecados, apesar do nosso campo ser muitas vezes estéril, apesar de o desiludirmos de vez em quando, Deus continua a acreditar que podemos dar frutos.

O seu projeto para a Vinha, para o mundo, precisa de todos nós. Deus têm a certeza que a vinha vai florescer, porque nos conhece e sabe do que somos capazes.

Deus não quer que lhe paguemos um tributo ou que lhe entreguemos uma parte da colheita. Não pede isso. Pede simplesmente para darmos frutos. Frutos bons. Os primeiros trabalhadores produziram frutos de guerra, de ataque, de poder, de violência. Nós temos de corresponder às expectativas de Deus e fazer que a vinha que nos foi entregue, o nosso mundo, produza frutos de bondade, de justiça, de honestidade, de proximidade, de amor uns para com os outros.

Deus confiou-nos uma vinha muito bela. Uma vinha cheia de potencialidades e pronta a dar frutos maravilhosos.

Estás disposto a ser um bom trabalhador e a cultivá-la?

Marcações: Evangelho, Tempo Comum , Domingo

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