Amigos, sim, mas quais?

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Compressão, litígos, afecto, sofrimento, segurança... A amizade envolve muitos estados de ânimo. É um assunto sempre de grande atualidade, sobretudo nos adolescentes.

Existe a amizade com a minísculo e a Amizade com um A maísculo. Embora haja muitos amigos, na realidade há poucos Amigos. Cada qual, a partir da sua experiência, poderá ter alguma coisa a dizer. É muito importante ter amigos, e isto em todas as fases da vida. Contudo, a amizade é fundamental na adolescência. Como sobretudo os passarinhos, a um certo momento, deixam o ninho e começam a voar, assim os adolescentes gostam e necessitam de sair de casa para estar com os amigos. O que eles não querem de modo algum é a solidão. Não são ilhas! Para fazer teoricamente da amizade há muitos livros. Por isso, servimo-nos da experiência de alguns adolescentes.

«Posso contar com o grupo» 

O adolescente sente-se bem estando com os amigos. Isto não significa que o ambiente familiar não seja agradável: apenas indica que ela deixou de ser uma criança e necessita naturalmente de se afirmar como diferente.

A Ana diz: Quando era pequena, passava o meu tempo livre com a Cristina. Ia muitas vezes a sua casa e ela vinha à minha. Jogávamos as duas e tínhamos os nossos segredos. Era a minha única e grande amiga. Agora, com o passar dos anos, as coisas mudaram e passo momentos maravilhosos com um grupo de amigos. Agora eles são o meu mundo, são praticamente a minha segunda casa. Somos um grupo forte.»

A Joana também se sente bem no grupo. Quando não está com os companheiros, sobretudo com os mais amigos, ela em casa passa muito tempo a telefonar: fala, sorri, brinca, sempre com o telemóvel ao ouvido. Diz ela: A minha mãe não percebe porque é que tenho de estar tanto tempo na conversa, e diz me para ir estudar. Mas para mim uma hora a falar com os amigos não é tempo perdido.

O Nuno afirma convictamente: Estar com os amigos, sentimo-nos mais seguros. Vemos que não estamos sós, que os da nossa idade têm geralmente as mesmas angústias e esperanças. Por isso, sentimo-nos compreendidos e podemos falar abertamente das coisas. Nada de adultos, pais ou professores, a dar conselhos. Somos nós, apenas nós. Não sei explicar, mas sentimo-nos assim mais livres.

Os pais, sempre

De facto, é no grupo que os adolescentes se refugiam, pois é o espaço onde se sentem seguros, compreendidos, escutados. O grupo faz parte do seu crescimento. Não é saudável que um adolescente se recuse a crescer e queira ficar durante esses anos fechado em casa.  É este o tempo de ter amigos e fazer amigos. Mas, por vezes certas amizades desiludem.

A Teresa conta: Tive uma grande desilusão com uma amiga do meu grupo. Soube que ela tinha um namoro. Perguntei-lhe se era verdade e ela negou-o abertamente. Mas uma tarde de sábado vi-a a passear de mãos dadas com o tal rapaz. Tinha-me dito que não poderia estar comigo pois tinha de ir visitar os avós. Foi para mim uma grande desilusão ela ter-me mentido. Por que é que dizia que eu era a sua melhor amiga, se não era verdadeira comigo? Contei tudo à minha mãe e ela ajudou-me a encontrar a serenidade.

O Luís também concorda que, em certas situações complicadas, os pais estão prontos para nos ajudar, pois querem o bem dos seus filhos. Ele próprio o exprimentou. Eu tinha um amigo chamado Pedro, mas os meus pais não gostavam que andasse com ele. Diziam-me para escolher outros amigos, pois com esse não aprenderia certamente nada de bom. De facto, terminado o ano, ele chumbou e os pais decidiram mudá-lo de escola. Aprendi então duas coisas. A primeira é que é bom escutar os pais, pois estando de fora e com a sua experiência, vêem o que nós não vemos. A segunda, é que ter amigos é  muito importante, mas não devemos escolher os errados, mas os verdadeiros.

Marcações: Valores, Amizade, Adolescentes

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