Nós e a Democracia

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Ataques terroristas? Extremismos? Democracia? Globalização? Geopolítica? NATO? Que tenho a dizer? Diariamente, na televisão ou nas redes sociais, em família ou entre amigos, somos confrontados com muitas questões relacionadas com o mundo em que vivemos. Questões sobre a segurança e a defesa, a economia e as finanças, a saúde e a educação. São tantos os conceitos e tantas as opiniões que por momentos parecemos estranhos na nossa própria casa. No mundo que é a nossa casa.

 

A sociedade rege-se por um conjunto de relações entre os cidadãos, tem organismos e instituições, leis e valores. Mas o que é afinal a sociedade? Sempre foi como a conhecemos? A história ajuda-nos a ver que desde as sociedades primitivas até aos dias de hoje, a forma como nos relacionamos e vivemos em comunidade é algo complexo e fascinante. Na europa somos herdeiros da democracia grega, do direito romano, dos valores do cristianismo, da matemática dos árabes, da navegação dos fenícios, entre tantas outras culturas. Contudo, se fomos capazes de construir tantas maravilhas porque nos parece que o mundo está em guerra?

O conforto das nossas casas, das nossas escolas e das nossas relações de amizade podem levar-nos a esquecer a realidade das guerras e dos conflitos que vemos à nossa volta. Passou mais um dia. Houve mais um ataque terrorista, mais mortos e mais feridos. Afinal o que se passa? O que posso fazer? Uma filósofa do século XX chamada Hannah Arendt usou uma expressão que pode ajudar-nos a perceber a forma como lidamos com os fracassos da humanidade. A expressão é a banalização do mal. A banalização do mal é pensarmos que é normal o sofrimento e a guerra. A banalização do mal é cruzarmos os braços e ficarmos descansados porque isto não é nada comigo. A banalização do mal é sermos indiferentes aos conflitos que nos cercam.

Pensemos na história humana, o Homem desde que se conhece como um ser biológico, psicológico e cultural, é marcado por relações difíceis e conflituosas. Do homo sapiens ao homem dos dias de hoje houve sempre a necessidade da união. Unidos para a defesa e para a guerra. Que estranho! Os homens unem-se para se defenderem e unem-se para atacar. Os romanos e os mongóis, os incas e os egípcios, os alemães nazis e os comunistas russos, os fundamentalistas islâmicos, entre tantos, têm em comum a característica da guerra. Seja para aumentar o seu território à custa do vizinho, seja para lhe roubar aquilo que ele tem e é desejado. Sendo maior e mais rico podemos ser mais felizes. Será? Nas sociedades primitivas, nos grandes impérios, nos regimes totalitários e tantas vezes em nós, esta lógica é vencedora.

Ainda assim, se os homens unem-se para fazer a guerra, unem-se também para fazer a paz. É comum depois de grandes conflitos surgirem renovadas alianças como forma de reconstruir as ruínas. Por exemplo, depois da II Guerra Mundial houve a necessidade de reconstruir a Europa, criar laços e pontes, sonhar um futuro marcado pela esperança e pela paz. A ONU (Organização das Nações Unidas) foi criada em 1945 com o objectivo de promover a cooperação internacional, a segurança, a paz e os direitos humanos. A NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte) surge em 1949 como aliança militar de vários países. A CEE (Comunidade económica europeia), hoje chamada União Europeia, estabelece-se 1957 para unir os povos e pelo desenvolvimento económico. A paz, a defesa e o desenvolvimento. São três objetivos que definem a capacidade de alianças por um mundo melhor.

Questiona-se hoje se estas organizações realizam a missão para as quais foram criadas. Promovem a paz ou promovem a guerra? Promovem a defesa ou são agentes de guerra? Ajudam-se economicamente ou vivem centradas no seu desenvolvimento? São perguntas que nos despertam e que nos fazem estar atentos. São perguntas difíceis mas que exigem de nós uma envolvência. Ser cidadão, é viver na cidade! Viver em democracia implica olhar a história, compreender os acontecimentos, questionar as razões da guerra, procurar soluções de paz.

Unidos em comunidade, vivendo a democracia, somos chamados a não banalizar o mal que nos rodeia. Somos chamados a ter uma voz activa e empenhada num mundo global. As relações entre os países e as relações que construímos podem mudar o rumo da história. Para uma história de paz ou para uma história de guerra.  

Marcações: Valores, ONU, democracia, Nato, Europa

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