Sophia de Mello Breyner: porquê conhece-la?

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Hoje celebra-se o centenário do nascimento da poetisa portuguesa Sophia de Mello Breyner. Já deves conhecê-la da escola, é autora de alguns livros que já deves ter ouvido falar - "A Fada Oriana", "O Cavaleiro da Dinamarca", "O Rapaz de Bronze". Porque é que os professores recomendam tanto a obra de Sophia de Mello Breyner?

 

É uma das poetisas mais importantes do século XX

Nem sempre foi fácil dedicar-se às artes no nosso país. Por isso é que as palavras de Sophia de Mello Breyner marcaram o século XX. A poetisa é considerada uma das mais importantes figuras da literatura portuguesa, tendo recebido diversos reconhecimentos formais, sendo um dos mais importantes o "Prémio Camões”, em 1999. Sophia foi a primeira mulher a receber este prémio. Sophia recebeu também o “Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-americana”, de 2003, e o “Prémio da Crítica” pelo Conjunto da Obra, oferecido à autora na década de oitenta pelo Centro Português da Associação Internacional de Críticos Literários.

Transmite valores intemporais 

A obra de Sophia Andresen consegue agregar ideais e valores que por vezes se confrontam - uns falam de valores cristãos:

Deus escreve direito por linhas tortas

E a vida não vive em linha recta
Em cada célula do homem estão inscritas
A cor dos olhos e a argúcia do olhar
O desenho dos ossos e o contorno da boca
Por isso te olhas ao espelho:
E no espelho te buscas para te reconhecer
Porém em cada célula desde o início
Foi inscrito o signo veemente da tua liberdade
Pois foste criado e tens de ser real
Por isso não percas nunca teu fervor mais austero
Tua exigência de ti e por entre
Espelhos deformantes e desastres e desvios
Nem um momento só podes perder
A linha musical do encantamento
Que é teu sol tua luz teu alimento

Na mesma obra da poetisa, também se exalta o valor da sabedoria grega:

DIONYSOS

Entre as árvores escuras e caladas
O céu vermelho arde,
E nascido da secreta cor da tarde
Dionysos passa na poeira das estradas.

A abundância dos frutos de Setembro
Habita a sua face e cada membro
Tem essa perfeição vermelha e plena,
Essa glória ardente e serena
Que distinguia os deuses dos mortais.

Ainda que pareça quase um paradoxo, Sophia deixa-nos sempre esta reflexão de que somos uma adorável composição de tudo aquilo que lemos, conhecemos e amamos, ainda que esse “tudo” possa parecer tão díspar.

Um mundo melhor

Há na obra da poetisa, uma evidente carga de justiça, de procura por um mundo mais e justo. Sophia escrevia bastante sobre a ditadura de Salazar. Nessa linha, destacam-se, por exemplo, os poemas que abordam o 25 de abril, ou, antes, ainda na luta pela democratização em Portugal.

25 DE ABRIL

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo

Marcações: Valores, Literatura, Poetas, Poemas, Poesia

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