Porque é que Jerusalém não tem Embaixadas?

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Jerusalém é uma cidade situada na região da Palestina e sabemos que é considerada sagrada segundo três religiões: a judaica, a cristã e a islâmica. Mas, como esta cidade não é a capital de nenhum país, ainda não tem embaixadas, que são as missões diplomáticas que representam um país na capital de outro país estrangeiro. Vamos perceber porquê?

 Comecemos pelas três religiões em Jerusalém. Judeus creem, segundo a sua religião, que foi na montanha de Jerusalém que Abraão quase sacrificou o seu filho Isaac e ouviu a palavra de Deus (Gen. 22). Foi também nesta cidade que Jesus viveu vários momentos importantes da Sua vida - como a apresentação no Templo, após o seu nascimento (Lucas 2:22), ou mais tarde, a pregação em que expulsou vendedores do Templo (Marcos 11:15) - e que foi preso, cruxificado e sepultado (Lucas 22, 23). Nós, cristãos, acreditamos também que depois de sepultado, Jesus ressuscitou e ascendeu ao Céu (Lucas 24), a partir de Jerusalém, onde morreu. Muçulmanos acreditam que foi no Templo de Jerusalém que Maomé, o último profeta islâmico, encontrou Deus, Jesus e os Reis de Israel, David e Salomão.

Em 1947, na região da Palestina então administrada pelo Reino Unido, existiam dois movimentos sociais em conflito: o movimento nacionalista palestiniano (árabe e muçulmano) e o movimento nacionalista judeu. Por isso, as Nações Unidas propuseram um plano para a criação de dois Estados independentes (um Judeu e um Árabe) na Palestina e, com os dois especiais objetivos de proteger os locais sagrados de Jerusalém e promover a paz entre seus habitantes e peregrinos, declararam esta cidade como um corpus separatum. De acordo com esse plano, Jerusalém não pertencia a nenhum Estado – nem à administração do Reino Unido (ou de outro país), nem aos Estados a criar de Israel e da Palestina – esta cidade seria governada pelas Nações Unidas com regras internacionais especiais. Entretanto, em 1948, o Reino Unido retirou-se e a guerra civil eclodiu na Palestina opondo árabes e judeus.

O plano das Nações Unidas não foi seguido, porém não é esquecido. Ainda hoje, a maioria dos países idealiza a constituição dos dois Estados independentes na região da Palestina. Por isso, a maioria dos países, incluindo Portugal, tem as embaixadas na cidade de Telavive - capital do estado de Israel - e missões diplomáticas na cidade de Ramalá - sede da Autoridade da Palestina. Há ainda a proposta de considerar Jerusalém a capital dos dois Estados, Israel e Palestina, simultaneamente.

No passado dia 6 de dezembro, Donald Trump, presidente dos Estados Unidos da América, anunciou que iria transferir a embaixada de Telavive para Jerusalém. O problema é que Trump não esclareceu se a sua embaixada iria apenas funcionar perante Israel ou se funcionaria também perante a Autoridade da Palestina. Ainda mais dramático é que, lamentavelmente, logo após esta notícia inesperada e pouco esclarecedora, a violência entre israelitas e palestinianos aumentou, reavivando a luta pelo acesso aos lugares sagrados de Jerusalém.

Durante este ano, não esqueçamos o que o Papa Francisco nos disse no Natal de 2017:

"Vemos Jesus nas crianças do Médio Oriente, que continuam a sofrer pelo agravamento das tensões entre israelitas e palestinianos. (…) Imploramos do Senhor a paz para Jerusalém e para toda a Terra Santa; rezamos para que prevaleça, entre as Partes, a vontade de retomar o diálogo e se possa finalmente chegar a uma solução negociada que permita a coexistência pacífica de dois Estados dentro de fronteiras mutuamente concordadas e internacionalmente reconhecidas. O Senhor sustente também os esforços de quantos, na Comunidade Internacional, se sentem animados pela boa vontade de ajudar aquela martirizada terra a encontrar – não obstante os graves obstáculos – a concórdia, a justiça e a segurança por que há muito aguarda.”

Marcações: guerra, EUA , Internacional, Mundo, Judaísmo, Conflito, Muçulmanos, Palestina, Jerusalém

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