Como pode um governo evitar os incêndios?

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O choque, a consternação e a solidariedade invadiram a sociedade portuguesa. O trágico incêndio deste fim-de-semana em Pedrogão Grande, que levou 62 almas e fez 6 dezenas de feridos, não pôs ninguém neste país (e não só) indiferente à problemática dos fogos florestais que assolam o nosso país todos os verões.

Pelas redes sociais vemos um pouco de tudo: homenagens às vítimas e ao trabalho dos bombeiros, discussão sobre o que terá originado o fogo (mesmo depois da PJ afirmar que foi um raio) e publicações de revolta, normalmente focadas na falta de meios, acusando os sucessivos governos de terem gasto o dinheiro dos contribuintes em coisas menos úteis/importantes. Ou seja, a discussão (e consequente pressão sobre os governantes que o debate cria) está essencialmente focada no combate ao incêndio e, tirando um ou outro caso, nunca se discute se seria possível diminuir o número de incêndios ou, pelo menos, a sua força ou velocidade de propagação.

Como sabemos, a floresta portuguesa, principalmente acima do Tejo, é constituída maioritariamente por Eucalipto e Pinheiro Bravo. Estas espécies (que foram trazidas pelo Homem para cá) são um excelente combustível para os incêndios devido às suas características “resinosas”. No caso dos eucaliptos, por exemplo, o fogo, depois de chegar ao topo da árvore, passa a propagar-se mais rapidamente entre as copas do que pela vegetação rasteira. Isto ocorre devido às “pequenas explosões” que se criam nos ramos quando o fogo lhes chega. São acendalhas naturais. Se juntarmos a estes a madeira extremamente resinosa do pinheiro bravo temos uma fogueira perfeita preparada para que chegue o fogo. Em dias com condições meteorológicas adversas, como foi o caso do passado fim-de-semana, por muitos aviões no ar e bombeiros no chão, o resultado não seria muito diferente. Sabemos isso porque tem sido sempre assim nas últimas décadas, ano passado foi a Madeira, Águeda e Arouca, este ano está a ser em Pedrogão, Góis e Arruda dos Vinhos. O fator comum é sempre o mesmo, uma floresta extremamente propícia a incêndios, a par de condições meteorológicas favoráveis à ocorrência de incêndios com o (infeliz) toque final do inexistente ordenamento florestal.

Então afinal, o que podemos fazer para evitar os incêndios? Como vivemos num país com clima propício a estes, nunca iremos conseguir acabar com eles. O fogo, no clima mediterrânico, é um elemento “autóctone”, não foi o Homem que o trouxe, mas os nossos comportamentos têm potenciado, ao longo dos séculos, o aumento da sua presença. Talvez criar um verdadeiro ordenamento do território, baseado na reconstrução da floresta autóctone, mais resistente ao fogo, aliada a um verdadeiro ordenamento florestal, que crie zonas de quebra fogo no meio da mancha florestal e limpeza da mesma junto das estradas possa ser um princípio. Este tipo de medidas não irá permitir discursos dos responsáveis políticos com aviões e helicópteros como pano de fundo, mas certamente, no medio e longo prazo irão tornar a floresta, e consequentemente o país, muito mais resistente ao fogo.

Marcações: Política, Verão, Incêndios,, Floresta

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